Revista Ciencias de la Actividad Física UCM. N° 27(1), enero-junio, 2026. ISSN: 0719-4013
   
Artículo Investigación

Qualidade de vida, autoestima e medo de cair em idosos submetidos ao treinamento de força

Quality of life, self-esteem, and fear of falling in older individuals undergoing strength training

Calidad de vida, autoestima y miedo a caer en ancianos sometidos al entrenamiento de fuerza

Ferreira-Ribeiro, Yan1; de Souza-Sodré, Ravini2; Pereira Salustiano Mallén da Silva, Giullio C.3; Lopes Silva, Yuri R.4; Meireles, Alex5; Gama-Linhares, Diego6; Ribeiro Nogueira da Gama, Dirceu7 &adm; Gomes de Souza Vale, Rodrigo8


Ferreira-Ribeiro, Y., de Souza Sodré, R., Pereira Salustiano, G., Lopes Silva, Y.R., Meireles, A., Gama-Linhares, D., Ribeiro Nogueira da Gama, D., & Gomes de Souza Vale, R. (2026). Qualidade de vida, autoestima e medo de cair em idosos submetidos ao treinamento de força. Revista Ciencias de la Actividad Física UCM, 27(1), 99-110. http://doi.org/10.29035/rcaf.27.1.7

RESUMO

Os efeitos deletérios do envelhecimento afetam a autonomia funcional, aptidão física e qualidade de vida. A redução da massa magra, força muscular e tempo de reação pode comprometer a marcha e o equilíbrio, intensificar o risco de quedas e diminuir a autoestima. O treinamento de força parece ser um aliado para reduzir esses danos. O objetivo deste estudo foi analisar as associações entre qualidade de vida, autoestima e medo de cair em idosos submetidos ao treinamento de força. Este estudo descritivo, quantitativo e correlacional de corte transversal analisou 38 indivíduos de 60 a 93 anos que praticavam o treinamento resistido regularmente, sendo 28 mulheres e 10 homens. Os instrumentos empregados para a avaliação foram "WHOQOL-Old", "Escala de Autoestima de Rosenberg" (RSES) e "FES-I Brasil". O teste de correlação de Spearman mostrou correlação positiva entre Qualidade de vida geral (QVG) e autoestima (rho= 0,682; p< 0,001) e correlação negativa entre QVG e medo de cair (rho= -0,372; p=0,022). Não foram encontradas correlações entre autoestima e medo de cair. As pessoas idosas praticantes do treinamento de força que apresentaram maiores níveis de qualidade de vida apontaram maior autoestima e menor medo de cair.
Palavras chave: Pessoa idosa; Treinamento resistido; Estilo de vida; Acidentes por quedas.



1 Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Laboratório de Exercício e Esporte (LABEES), Brasil.
https://orcid.org/0009-0000-2460-8908, yanribeiro133@gmail.com
2 Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Laboratório de Exercício e Esporte (LABEES), Brasil.
https://orcid.org/0000-0003-0413-0497, ravini.sodre@gmail.com
3 Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Laboratório de Exercício e Esporte (LABEES), Brasil.
https://orcid.org/0000-0001-8701-8550, giulliocesar.gc@hotmail.com
4 Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Laboratório de Exercício e Esporte (LABEES), Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-5973-3773, professoryurirolim@gmail.com
5 Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Laboratório de Exercício e Esporte (LABEES), Brasil.
https://orcid.org/0009-0000-7898-049X, alex.meirelesrj@gmail.com
6 Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Laboratório de Exercício e Esporte (LABEES), Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-2901-3273, diegamalin@gmail.com
7 Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Laboratório de Exercício e Esporte (LABEES), Brasil.
https://orcid.org/0000-0003-4972-650X, dirceurng@gmail.com
8 Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Laboratório de Exercício e Esporte (LABEES), Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-3049-8773, rodrigogsvale@gmail.com

ABSTRACT

The deleterious effects of aging affect functional autonomy, physical fitness and quality of life. The reduction in lean mass, muscle strength and reaction time can compromise gait and balance, increase the risk of falls and decrease self-esteem. Strength training appears to be an ally to reduce these damages. The objective of this study was to analyze the associations between quality of life, self-esteem and fear of falling in elderly individuals undergoing strength training. This descriptive, quantitative, and correlational cross-sectional study analyzed 38 individuals aged 60 to 93 years who practiced resistance training regularly were analyzed, 28 women and 10 men. The instruments used for the evaluation were "WHOQOL-Old", "Rosenberg Self-Esteem Scale" (RSES) and "FES-I Brazil". The Spearman correlation test showed a positive correlation between overall quality of life (OQL) and self-esteem (rho= 0.682; p< 0.001) and a negative correlation between OQL and fear of falling (rho= -0.372; p=0.022). No correlations were found between self-esteem and fear of falling. It was concluded that elderly individuals who practiced strength training and presented higher levels of quality of life indicated higher self-esteem and less fear of falling.
Key words: Elderly person; Resistence training; Life style; Accidental falls.

RESUMEN

Los efectos nocivos del envejecimiento afectan la autonomía funcional, la aptitud física y la calidad de vida. La reducción de la masa magra, de la fuerza muscular y del tiempo de reacción puede comprometer la marcha y el equilibrio, aumentar el riesgo de caídas y reducir la autoestima. El entrenamiento de fuerza parece ser un aliado para reducir este daño. El objetivo de este estudio fue analizar las asociaciones entre la calidad de vida, la autoestima y el miedo a caer en personas mayores sometidas a entrenamiento de fuerza. Este estudio transversal descriptivo, cuantitativo y correlacional analizó 38 individuos de 60 a 93 años que practicaban regularmente entrenamiento de resistencia, 28 mujeres y 10 hombres. Los instrumentos utilizados para la evaluación fueron “WHOQOL-Old”, “Rosenberg Self-Esteem Scale” (RSES) y “FES-I Brasil”. La prueba de correlación de Spearman mostró una correlación positiva entre la calidad de vida global (CGL) y la autoestima (rho= 0,682; p< 0,001) y una correlación negativa entre la CGL y el miedo a caer (rho= -0,372; p=0,022). No se encontraron correlaciones entre la autoestima y el miedo a caer. Se concluyó que los adultos mayores que practicaban entrenamiento de fuerza presentaron mayores niveles de calidad de vida reportando mayor autoestima y menor miedo a caer.
Palabras clave: Persona mayor; Entrenamiento de resistencia; Conducta del estilo de vida; Accidentes por caídas.

INTRODUÇÃO

Com o avanço da medicina e dos fármacos, houve um aumento da expectativa de vida populacional. No Brasil, a expectativa de vida é de 79,9 para mulheres e de 73,3 para os homens (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE], 2024). Parece que essa mudança demográfica crescerá ainda mais, pois, no ano de 2050, o país será constituído em 20% pela população idosa acima dos 60 anos, a qual apresenta uma alteração na pirâmide populacional brasileira, cuja forma atual é expressa em formato piramidal, mas tenderá a se tornar um retângulo (IBGE, 2024).

Esses dados reforçam a necessidade de políticas de saúde para a pessoa idosa, ao compreender que o processo de envelhecimento ocorre ao longo da vida, mas pode variar de acordo com a cultura e o estilo de vida (Izquierdo et al., 2021). Assim, essa transição demográfica deixa clara a importância de se promover um envelhecimento saudável, garantindo maior funcionalidade e independência da pessoa idosa (Chaimowicz & Faria Chaimowicz, 2022).

A autonomia funcional e a independência dependem de como as alterações biopsicossociais acontecem durante o envelhecimento. Entre essas alterações, podese destacar a sarcopenia, que gera a perda de massa magra, comprometendo, assim, a força, a estabilidade e o tempo de reação. O déficit dessas valências físicas pode comprometer a marcha e o equilíbrio, cujas variáveis são determinantes para intensificar o risco de quedas (Colón-Emeric et al., 2024; Ferreira Soares et al., 2025), que estão presentes em 40% da população idosa (BRASIL, 2022) e tem sido amplamente estudado em virtude das implicações significativas para a saúde e a qualidade de vida (Ferreira Soares et al., 2025; Xu et al., 2022).

O risco de quedas é uma condição multifatorial que tem uma probabilidade de ocorrência aumentada devido ao avanço da idade e quando a fadiga, a sarcopenia, a fragilidade muscular, a redução da densidade óssea, as comorbidades, a polifarmácia e o medo de cair estão presentes (Xiong et al., 2024). Esses fatores permeiam as dimensões biológicas, psicológicas, físicas e sociológicas que fazem parte do processo de aceitação da pessoa idosa. Naturalmente, um nível baixo de autoestima pode gerar insegurança psicológica e maximizar o risco de quedas, sendo um fator negativo para qualidade de vida (Özcan Tozoğlu & Gürbüzer, 2025).

Nesse sentido, o treinamento de força tem sido recomendado como uma intervenção voltada para a prevenção de quedas, pois é uma estratégia eficiente para diminuir os efeitos deletérios do envelhecimento e, sobretudo, proporcionar benefícios por meio da consciência corporal, pelo aumento da força muscular e funcional (Guirguis-Blake et al., 2024). Assim, os ganhos de força muscular podem estar associados a diminuição do medo de cair, o aumento da autoestima e a melhora da percepção da qualidade de vida em função desse tipo de treinamento em pessoas idosas (Guirguis-Blake et al., 2024; Khodadad Kashi et al., 2023; Sepúlveda et al., 2024). Sendo assim, o objetivo do presente estudo foi analisar as associações entre qualidade de vida, autoestima e medo de cair em pessoas idosas praticantes de treinamento de força.

MÉTODOS

Para a realização deste estudo foi feita uma pesquisa descritiva, quantitativa e correlacional de corte transversal (Guzmán-Muñoz et al., 2025; Thomas et al., 2012), abrangendo as variáveis qualidade de vida, autoestima e medo de cair.

Participantes

Este estudo admitiu como critério de inclusão pessoas idosas com idade igual ou superior a 60 anos, que praticavam treinamento de força há pelo menos 3 meses e com o mínimo de frequência de 3 vezes por semana. Foram definidos como critérios de exclusão possuir doenças neurodegenerativas e ou cardiometabólicas sem acompanhamento médico; responder um dos instrumentos de avaliação de forma inadequada ou faltar em algum día de coleta de dados; e não assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Os dados foram coletados no período de 03 a 14 de fevereiro de 2025.

O tamanho da amostra foi estimado por meio da utilização do software GPower 3.1 com informações para teste de correlação, adotandose um alfa de 0,05, tamanho do efeito estimado de 0,5 e poder de 0,8. O programa calculou o tamanho amostral em 26 indivíduos. Prevendo uma possível desistência durante a coleta de dados, a amostra foi composta por 38 pessoas idosas de 60 a 93 anos, sendo 28 mulheres e 10 homens. O estudo seguiu as recomendações para pesquisas com seres humanos conforme a resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde e foi aprovado no comitê de ética institucional do Hospital Universitário Pedro Ernesto/Uerj sob o registro CAAE: 51572321.6.0000.5259.


Procedimentos de coleta de dados

Os dados foram coletados por meio de três questionários, em três visitas a uma academia de ginástica localizada no município do Rio de Janeiro, Brasil.

Protocolo de intervenção

O protocolo do treinamento de força para os participantes foi constituído por nove exercícios com o método alternado por segmento. O volume foi definido por três séries, sendo de oito a 12 repetições e intensidade controlada pelo esforço percebido entre os escores 6 e 8 da escala OMINE-RES (Robertson et al., 2003). Os exercícios foram: supino, leg press, puxada por trás no pulley alto, cadeira extensora, rosca bíceps alternada com halteres, cadeira flexora, rosa tríceps no pulley, flexão plantar e abdominal.

WHOQOL-Old

O questionário WHOQOL-Old foi administrado individualmente para avaliar a qualidade de vida de idosos convidados a participar da pesquisa. Este instrumento, validado para a população brasileira (Fleck et al., 2003), é composto por 24 perguntas que abrangem seis áreas principais: 1 - Habilidade sensorial, que analisa o funcionamento sensorial do indivíduo e a perda de suas capacidades sensoriais em relação à qualidade de vida; 2 - Autonomia, que se refere ao nível de independência na velhice e examina a capacidade do indivíduo de tomar decisões e viver de forma autônoma; 3 - Atividade do passado, presente e futuro, que investiga a satisfação em relação às conquistas pessoais e as metas a serem alcançadas; 4 - Participação social, que diz respeito ao envolvimento em atividades cotidianas, especialmente em comunidade; 5 - Morte e morrer, que aborda a ansiedade e inquietação relacionadas à morte; 6 - Intimidade, que avalia a capacidade de estabelecer relações pessoais e íntimas. As pontuações desse questionário variam de 4 a 20 para cada área, além de uma avaliação geral da qualidade de vida.

Escala de Autoestima de Rosenberg (RSES)

A Escala de Autoestima de Rosenberg foi empregada como um instrumento unidimensional para classificar os níveis de autoestima em baixo, médio e alto. Essa escala foi validada para a população brasileira (Pechorro et al., 2011) e é composta por dez perguntas, sendo cinco de natureza positiva e cinco negativas, as questões estão dispostas de maneira aleatória e abordam a autovalorização e a satisfação pessoal. Para avaliar a RSES, são utilizadas quatro opções de resposta numéricas: 0 = discordo fortemente, 1 = discordo, 2 = concordo e 3 = concordo fortemente. A soma das respostas dos dez itens de cada participante resulta em um escore total. Pontuações inferiores a 15 pontos indicam baixa autoestima, enquanto valores entre 15 e 25 pontos refletem uma autoestima saudável. Por outro lado, resultados superiores a 25 pontos sugerem uma autoestima alta (Pechorro et al., 2011).

FES-I Brasil

O questionário sobre medo de cair (FES-I Brasil), validado para a população brasileira (Camargos et al., 2010), foi utilizado para avaliar a preocupação relacionada ao risco de quedas ao realizar atividades, desde as mais simples até as mais complexas. Este instrumento é composto por 16 perguntas, cada uma com pontuações que variam de um a quatro. O escore total pode oscilar entre 16, indicando ausência de preocupação, e 64, que representa preocupação extrema (Camargos et al., 2010).

Análise de Dados

Os dados foram tratados pelo programa IBM SPSS Statistics 25 for Windows e apresentados como média, desvio padrão e valores mínimos e máximos. O teste de Shapiro-Wilk foi utilizado para analisar a normalidade dos dados da amostra. O teste de correlação de Spearman foi aplicado para analisar as possíveis associações entre as variáveis investigadas. O teste de Mann-Whitney foi utilizado para a comparação das variáveis estudo entre os sexos. O estudo admitiu o valor de p <0,05 para significância estatística.

RESULTADOS

A Tabela 1 apresenta os resultados descritivos da amostra nas variáveis idade, qualidade de vida, autoestima e medo de cair.

Tabela 1.
Análise descritiva da amostra (n=38).

  Média Desvio padrão Mínimo Máximo
Idade (anos) 65,82 7,20 60,00 93,00
FAC1 15,68 3,86 8,00 20,00
FAC2 15,08 3,45 4,00 20,00
FAC3 14,95 2,16 11,00 20,00
FAC4 14,47 2,80 8,00 19,00
FAC5 14,34 3,79 8,00 20,00
FAC6 15,47 3,09 5,00 20,00
QVG 15,00 2,13 10,00 18,50
Autoestima 24,97 4,33 14,00 30,00
Medo de cair 28,39 10,20 16,00 55,00
Nota. QVG: Qualidade de vida geral; FAC1: Habilidade sensório; FAC2: autonomia; FAC3: Atividade do passado; FAC4: Participação social; FAC5: Morte e morrer; FAC6: Intimidade. Valores em escores.

A Tabela 2 apresenta os resultados das correlações entre as variáveis qualidade de vida, autoestima e medo de cair na amostra. Na tabela 2 é observado que a qualidade de vida geral (QVG) e a autoestima apresentaram uma correlação positiva (p<0,05). Isso indica que quanto maior é a QVG, maior é a autoestima. Ao analisar o medo de cair e QVG, observase uma correlação negativa (p<0,05). Esses resultados são favoráveis, já que que quanto maior é a QVG menor é o escore referente ao medo de cair. Não houve correlação entre autoestima e medo de cair.

Tabela 2.
Análise da correlação entre qualidade de vida, autoestima e medo de cair da amostra.

    FAC1 FAC2 FAC3 FAC4 FAC5 FAC6 QVG Autoestima
FAC2 rho 0,445              
  valor-p 0,005            
FAC3 rho 0,281 0,505            
  valor-p 0,088 0,001            
FAC4 rho 0,397 0,470 0,632          
  valor-p 0,014 0,003 0,000          
FAC5 rho 0,088 0,202 0,342 0,169        
  valor-p 0,601 0,224 0,036 0,310        
FAC6 rho 0,319 0,434 0,523 0,604 0,211      
  valor-p 0,051 0,007 0,001 0,000 0,203      
QVG rho 0,617 0,763 0,721 0,701 0,558 0,688    
  valor-p 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000    
Autoestima rho 0,204 0,511 0,525 0,561 0,414 0,598 0,682  
  valor-p 0,218 0,001 0,001 <0,001 0,010 <0,001 <0,001  
Medo de Cair rho -0,330 -0,218 -0,188 -0,212 -0,409 -0,071 -0,372 -0,147
  valor-p 0,043 0,188 0,258 0,202 0,011 0,670 0,022 0,379
Nota. QVG: Qualidade de vida geral; FAC1: Habilidade sensório; FAC2: autonomia; FAC3: Atividade do passado; FAC4: Participação social; FAC5: Morte e morrer; FAC6: Intimidade.

A Tabela 3 apresenta os resultados comparativos da amostra, separados por sexo, nas variáveis idade, sexo, qualidade de vida, autoestima e medo de cair. Observase que não houve diferenças significativas entre os sexos nas variáveis estudadas.

Tabela 3.
Análise comparativa das variáveis de estudo da amostra separadas por sexo (masculino: n= 11; feminino: n=27).

Variáveis Média (Masculino) DP Média (Feminino) DP Valor-p
Idade (anos) 67,27 6,78 65,22 7,40 0,323
FAC1 14,18 3,22 16,30 3,98 0,061
FAC2 15,36 2,34 14,96 3,85 0,999
FAC3 15,18 1,83 14,85 2,30 0,568
FAC4 14,82 2,40 14,33 2,97 0,704
FAC5 14,64 4,80 14,22 3,40 0,680
FAC6 16,45 2,58 15,07 3,23 0,201
QVG 15,11 1,83 14,96 2,28 0,949
Autoestima 26,27 3,13 24,44 4,68 0,308
Medo de Cair 30,09 10,90 27,70 10,03 0,704
Nota. DP: desvio padrão; QVG: Qualidade de vida geral; FAC1: Habilidade sensório; FAC2: autonomia; FAC3: Atividade do passado; FAC4: Participação social; FAC5: Morte e morrer; FAC6: Intimidade. Valores de média das variáveis de qualidade de vida, autoestima e medo de cair em escores.

DISCUSSÃO

O presente estudo teve como objetivo analisar as associações ente qualidade de vida, autoestima e medo de cair em pessoas idosas praticantes do treinamento de força. Os resultados encontrados mostraram que quanto maior a qualidade de vida do indivíduo menor é o medo de cair e maior é a autoestima em praticantes de treinamento de força. Isso indica que o treinamento de força promove benefícios sobre a percepção da qualidade de vida, autoestima e a diminuição do medo de cair.

As associações positivas da qualidade de vida com autoestima e medo de cair, expressam a importância sobre a busca em aumentar a qualidade de vida de pessoas idosas com programas de treinamento de força, por ser uma variável que se apresenta como multicorrelacional com toda as dimensões da vida de uma pessoa idosa, que pode prevenir o surgimento da fragilidade e sarcopenia e manter ou melhorar os níveis de autonomia funcional (De Vasconcelos et al., 2022; Araújo Rabelo et al., 2023).

Esses achados corroboram com a revisão sistemática de Hart y Buck (2019) que avaliaram 16 estudos sobre o efeito do treinamento de força na qualidade de vida relacionada à saúde em idosos. Os autores observaram que o treinamento de força deve ser a intervenção prioritária para melhorar a qualidade de vida física e mental em pessoas idosas, a qual a autoestima e o medo de cair são inseridas nesse contexto.

No presente estudo não foi encontrada associação entre o medo de cair e a autoestima. Esses achados podem ser justificados tendo em vista que os participantes apresentaram uma autoestima saudável (Pechorro et al., 2011). No entanto, mostraram ter medo de cair, talvez em virtude da idade, já que quanto maior é a idade, maior é o risco de quedas e menor a autoestima (Rillera Marzo et al., 2023; Xu et al., 2022).

Os achados da presente pesquisa mostraram uma correlação negativa entre medo de cair e qualidade de vida (QVG) nos participantes de treinamento de força. Isso sugere que o treinamento de força pode melhorar a autonomia funcional e dar maior estabilidade as atividades da vida diária (AVD), diminuindo o medo de cair. Nesse sentido, o estudo de Zhou et al. (2025) analisou a eficácia, segurança e adesão de exercícios de força e equilíbrio realizados em casa para prevenção de quedas em 124 pessoas idosas a partir de 80 anos, que foram randomizados em dois grupos. O grupo experimental que realizou três sessões por semana durante 30 minutos com exercício de força e equilíbrio por vídeo, apresentaram risco de queda reduzido e melhor qualidade de vida quando comparado ao grupo que realizou apenas rotinas diárias.

A intervenção do treinamento de força realizada nos participantes do presente estudo apresentou variáveis metodológicas similares que são empregadas entre os estudos, dentre os quais, podese destacar a frequência semanal de três vezes durante 30 minutos (Zhou et al., 2025) que corroboram também com revisões sistemáticas (Mañas et al., 2021; Rodrigues et al., 2022;) que identificaram a frequência média dos estudos considerada de duas a três vezes por semana. A duração das sessões de exercícios ficou entre 30 e 60 minutos com exercícios focados em desenvolver resistência, força muscular e equilíbrio para prevenir quedas e melhorar a qualidade de vida. As intensidades dos exercícios foram estimadas entre 60% e 80% RM (Mañas et al., 2021; Rodrigues et al., 2022).

Dessa forma, observase que, a frequência semanal, duração do treino e intensidade são variáveis de prescrição metodológica que os programas de exercícios e de treinamento de força devem se atentar e considerar a faixa etária da pessoa idosa. Essas variáveis metodológicas podem ter influenciado na associação da autoestima com a qualidade de vida no presente estudo. Além disso, o treinamento de força pode ser incluído na prática de exercícios físicos adaptados para a população idosa e melhorar sua autonomía funcional (Costa Maia et al., 2022).

No estudo de Oliveira et al. (2019), no qual foi aplicada a associação das variáveis metodológicas com as variáveis estudadas na presente pesquisa, pois os autores avaliaram 79 pessoas idosas não praticantes e praticantes de exercícios físicos na academia da terceira idade e encontraram associação positiva entre frequência semanal, nível de atividade física, autoestima e motivação, indicando que quanto mais as pessoas idosas praticavam exercício para melhorar a condição física e controlar o peso corporal, melhor era a autoestima e a motivação.

Os exercícios de força fazem parte em outros programas de treinamento, em que a aptidão física é um indicador de autoestima e qualidade de vida dessa população (Matias Santos et al., 2020; Oliveira et al., 2019), avaliaram a autoestima de 19 idosas que realizaram exercício de foça no programa de treinamento funcional duas vezes por semana por 30 minutos. Após a comparação entre o grupo experimental e o grupo de idosas sedentárias, os autores concluíram que o exercício físico constituído por vários componentes, inclusive a força, proporcionou melhora na autoestima e na qualidade de vida dos participantes do grupo experimental.

Um outro estudo (Meurer et al., 2012) avaliou 111 pessoas idosas em um programa de atividade física e foi empregado o componente de força na prescrição de exercícios. O estudo apresentou associação (r=0,11, p= 0,22) entre autoestima e motivação para a prática de exercícios com finalidade de promover um estilo de vida saudável e a qualidade de vida. Da mesma forma, a pesquisa de Grajek et al. (2022) avaliou 600 mulheres idosas em 3 grupos e observou que os exercícios de força na atividade física promovem a melhora na autoestima e na qualidade de vida.

O presente estudo apresentou algumas limitações. O tipo de estudo correlacional de corte transversal não permite investigar as relações entre causa e efeito proporcionadas pela prática do treinamento de força. Outra limitação do estudo foi a utilização de questionários que podem apresentar algum viés de memória por se tratar de pessoas idosas nas suas respostas. Esses instrumentos de avaliação, por utilizarem variáveis psicológicas e cognitivas, podem apresentar condições intervenientes para a percepção da qualidade de vida, autoestima e o medo de cair em pessoas idosas (Gambaro et al., 2022) mesmo quando aplicados a praticantes de exercícios físicos e ou em treinamento de força.


CONCLUSÃO

O presente estudo mostrou associação entre qualidade de vida e medo de cair e autoestima, pois quanto maior foi o nível de qualidade de vida do indivíduo, menor foi o medo de cair e maior foi a autoestima nos praticantes de treinamento de força. Esses achados indicam que os programas de exercícios físicos para pessoas idosas devem ter como componente o treinamento de força, tendo visto a possibilidade de melhorar a qualidade de vida e o bemestar dessa população.

Propõese, que em estudos futuros sejam utilizados desenhos experimentais longitudinais com acompanhamento orientado e avaliação pré e pós-programa de treinamento e que incluam outras variáveis como níveis de estresse e resiliência em pessoas idosas.


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Dirección para correspondencia
de Souza-Sodré, Ravini.
Mestre em Ciência do Exercício e do Esporte
Universidade do Estado do Rio de Janeiro 
Brasil
ORCID:  https://orcid.org/0000-0003-0413-0497
correo electrónico: ravini.sodre@gmail.com.
Recibido: 02-06-2025
Aceptado: 18-02-2026

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