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Revista Ciencias de la Actividad Física UCM. N° 27(1), enero-junio, 2026. ISSN: 0719-4013
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| Artículo de Revisión
Efeitos de diferentes níveis de cadência em ciclismo de estrada: Uma revisão sistemática
Effects of different cadence levels in road cycling: A systematic review
Efectos de diferentes niveles de cadencia en ciclismo de carretera: Una revisión sistemática
da Silva-Pereira, Pedro H.1;
da Silva, Giullio C.2;
Santos-Meireles, Alex3;
Monteiro, Ana B.4;
de Souza-Costa, Mario C.5 &adm;
de Souza-Vale, Rodrigo G.6
![]()
da Silva-Pereira, P., da Silva, G., Santos-Meireles, A., Monteiro, A.,
de Souza-Costa, M., & de Souza-Vale, R. (2026). Efectos de
diferentes niveles de cadencia en ciclismo de carrera: una revisión
sistemática. Revista Ciencias de la Actividad Física UCM, 27(1),
207-223. http://doi.org/10.29035/rcaf.27.1.14
RESUMO
O ciclismo de estrada é um esporte com crescente destaque no cenário
global, caracterizado por competições de longa duração e altos níveis
de demanda aeróbica. Este estudo buscou investigar os efeitos de
diferentes níveis de cadência e suas respectivas influências na
performance e eficiência em ciclistas de estrada treinados. Foi
realizada uma revisão sistemática seguindo o protocolo PRISMA,
registrada na plataforma PROSPERO sob o número CRD42024603355. Os
critérios de elegibilidade basearam-se na metodologia PICOS, analisando
ensaios clínicos randomizados. A busca incluiu as bases PubMed, Scopus,
SportDiscus e ScienceDirect, resultando em 927 estudos inicialmente
identificados. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão,
cinco estudos foram incluídos. Para análise da qualidade metodológica,
foi usada a ferramenta TESTEX e para o risco de viés foi utilizada a
ferramenta Risk of Bias 2.0. Os resultados indicaram que cadências mais
baixas podem ser frequentemente associadas a uma maior eficiência em
provas de contrarrelógio e na melhoria da força muscular, enquanto
cadências mais altas parecem promover uma melhor resposta funcional
cerebral e eficiência neural. As intervenções analisadas apresentaram
limitações quanto à duração, divergindo da realidade competitiva do
ciclismo de estrada. Concluise que o treinamento em baixas cadências
parece ser uma estratégia eficaz para esforços com menor duração,
enquanto cadências mais altas apontam para possíveis benefícios
neurológicos.
Palavras-chave:
Ciclismo; Cadência; Desempenho atlético; Força muscular; Esporte.
![]()
1 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Laboratório do Exercício e do Esporte (LABEES), Brasil.
https://orcid.org/0009-0002-0850-912X, pedro8pereire9@gmail.com 2 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Laboratório do Exercício e do Esporte (LABEES), Brasil. https://orcid.org/0000-0001-8701-8550, giulliocesar.gc@hotmail.com 3 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Laboratório do Exercício e do Esporte (LABEES), Brasil. https://orcid.org/0009-0000-7898-049X, alex.meirelesrj@gmail.com 4 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Laboratório do Exercício e do Esporte (LABEES), Brasil. https://orcid.org/0009-0006-3590-6875, anabiamcm@gmail.com 5 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Laboratório do Exercício e do Esporte (LABEES), Brasil. https://orcid.org/0000-0003-4545-0892, prof.mariocezar@gmail.com 6 Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Laboratório do Exercício e do Esporte (LABEES), Brasil. https://orcid.org/0000-0002-3049-8773, rodrigogsvale@gmail.com ABSTRACT Road cycling is
a sport with increasing prominence on the global stage, characterized
by long-duration events and high aerobic demands. This study sought to
investigate the effects of different cadence levels and their
respective influences on performance and efficiency in trained road
cyclists. A systematic review was carried out following the PRISMA
protocol, registered on the PROSPERO platform under number
CRD42024603355. Eligibility criteria were based on the PICOS
methodology, analyzing randomized clinical trials. The search included
the PubMed, Scopus, SportDiscus, and ScienceDirect databases, resulting
in 927 initially identified studies. After excluding duplicates and
articles that did not meet the inclusion criteria, five studies were
included. To analyze the methodological quality, the TESTEX tool was
used and for the risk of bias, the Risk of Bias 2.0 tool was used. The
results indicated that lower cadences are often associated with greater
efficiency in time trials and improved muscular strength, while higher
cadences appear to promote better cerebral functional responses and
neural efficiency. The analyzed interventions presented limitations
regarding duration, diverging from the competitive reality of road
cycling. Thus, it is concluded that low-cadence training appears to be
an effective strategy for shorter efforts, while higher cadences
suggest potential neurological benefits.
Key words: Bicycling; Cadence; Athletic performance; Muscle strength; Sports. RESUMEN El ciclismo de
ruta es un deporte con creciente protagonismo en el panorama mundial,
caracterizado por competiciones de larga duración y altos niveles de
exigencia aeróbica. Este estudio buscó investigar los efectos de
diferentes niveles de cadencia y sus respectivas influencias en el
rendimiento y la eficiencia en ciclistas de ruta entrenados. Se realizó
una revisión sistemática siguiendo el protocolo PRISMA, registrado en
la plataforma PROSPERO con el número CRD42024603355. Los criterios de
elegibilidad se basaron en la metodología PICOS, analizando ensayos
clínicos aleatorizados. La búsqueda incluyó las bases de datos PubMed,
Scopus, SportDiscus y ScienceDirect, dando como resultado 927 estudios
identificados inicialmente. Luego de aplicar los criterios de inclusión
y exclusión, se incluyeron cinco estudios. Para analizar la calidad
metodológica se utilizó la herramienta TESTEX y para el riesgo de sesgo
se utilizó la herramienta Risk of Bias 2.0. Los resultados indicaron
que las cadencias más bajas a menudo pueden estar asociadas con una
mayor eficiencia en las pruebas contrarreloj y una mejor fuerza
muscular, mientras que las cadencias más altas parecen promover una
mejor respuesta funcional del cerebro y una mejor eficiencia neuronal.
Las intervenciones analizadas presentaron limitaciones en cuanto a la
duración, alejándose de la realidad competitiva del ciclismo de ruta.
Se concluye que el entrenamiento a cadencias bajas parece ser una
estrategia eficaz para esfuerzos de menor duración, mientras que
cadencias más altas apuntan a posibles beneficios neurológicos.
Palabras clave:
Ciclismo; Cadencia; Rendimiento atlético; Fuerza muscular; Deportes.
INTRODUÇÃO
O ciclismo de estrada é um esporte que apresenta cada vez mais destaque
no cenário global e internacional. Suas provas são compostas por
competições de 1 dia, competições de 4 a 10 dias e as chamadas “Grandes
Voltas” que duram 3 semanas (Mujika & Padilha, 2001). As provas de
1 dia, também conhecidas como “Clássicas”, possuem cerca de 250 km de
distância. Enquanto isso, os tours mais curtos duram cerca de uma
semana (4-5 dias consecutivos) com uma distância de aproximadamente 150
a 200 km por dia, exceto pelas etapas de contrarrelógio, que são mais
curtas. Além dessas, existem também os "Grand Tours," sendo o Giro
d'Italia, o Tour de France e a Vuelta a España (Filipas et al., 2018;
Lucia et al., 2001a).
As provas consideradas "Grand Tours" consistem em 21 dias de competição, com cada etapa durando cerca de 200 km ou 4 a 5 horas, excluindo as etapas de contrarrelógio. Ao longo da corrida, há apenas 1 a 2 dias de descanso para os atletas, totalizando aproximadamente 90 – 100 horas de competição e percorrendo uma distância de 3500 a 4000 km (Lucía et al., 2001a). Nesse contexto, o ciclismo de estrada é composto principalmente por etapas de longas durações e altos níveis de demandas aeróbicas de seus participantes (Mujika & Padilha, 2001). Por conta disso, diversas estratégias são utilizadas na busca de maximizar a eficiência e minimizar a fadiga dos atletas, como o consumo de carboidratos durante as etapas, combinado com o controle de outras variáveis de treinamento, sendo as mais comuns a frequência cardíaca, potência e cadência (Kordi et al., 2024; Kurtz et al., 2024; Newell et al., 2018; Faria et al., 2005; Lucía et al., 2001a). É possível observar que quanto maior a cadência, a sensação de fadiga muscular periférica parece diminuir, variável diretamente relacionada com a percepção de esforço do indivíduo (Palmieri & Deutsch, 2024; Pazetti-Baccili et al., 2024; Mater et al., 2021). No entanto, a alta cadência parece estar associada a uma maior demanda metabólica quando comparada a cadências mais baixas (Denadai et al., 2005). Embora não haja um consenso sobre a cadência ideal para os ciclistas de estrada, Dias et al. (2007) indicaram que a cadência ideal varia de acordo com a carga do exercício, levando a uma relação cadência versus carga. Nesse sentido, alguns estudos mostraram que a cadência pode variar de acordo com as especificidades da etapa da prova. Assim, em etapas predominantemente planas, bem como, em etapas de contrarrelógio a cadência utilizada pela maioria dos atletas ficaria em torno de 90 rotações por minuto (rpm) (Lucía et al., 2001a; Lucia et al., 2001b). Entretanto, em etapas que contam principalmente com montanhas e grandes inclinações, a faixa de cadência mais utilizada apresenta ser um pouco mais baixa, em torno de 70 rpm (Lucia et al., 2001b). Além disso, cadências levemente mais altas mostraram estar relacionadas a uma redução na oxidação de carboidratos em certas concentrações de lactato sanguíneo, o que é benéfico para um atleta de modalidades com características de endurance (Beneke & Alkhatib, 2015). Entretanto, uma cadência mais elevada também está relacionada a um aumento do trabalho cardiorrespiratório (Denadai et al., 2005). Em vista disso, cadências mais baixas podem ser as mais eficientes para melhora da performance dos ciclistas de estrada, podendo causar adaptações específicas relacionadas à força durante o ciclismo (Hansen & Ronnestad, 2017; Whitty et al., 2016; Jacobs et al., 2013; Nimmerichter et al., 2012; Paton et al., 2009). Já outros estudos sugerem que uma cadência mais alta poderia promover uma melhor eficiência, além de reduzir a fadiga muscular e aumentar o fluxo sanguíneo para a musculatura ativa (Guzmán-Muñoz et al., 2024; Palmieri & Deutsch, 2024; Ludyga et al., 2016a; Ludyga et al., 2016b). Assim, tendo em vista a importância da cadência ideal para o ciclista de estrada, bem como, uma aparente falta de consenso na literatura acadêmica a respeito desse tema, esse estudo objetivou investigar os efeitos de diferentes níveis de cadência e suas respectivas influências na performance e eficiência em ciclistas de estrada treinados. MÉTODOS Delineamento O presente
estudo tratase de uma revisão sistemática realizada de acordo com as
recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and
Meta-Analyses (PRISMA) (Sarkis-Onofre, 2021). Foi realizada uma
pesquisa na International Prospective Register of Systematic Reviews
(PROSPERO), no qual não foram encontrados estudos sobre o tema em
questão. Dessa forma, a presente revisão foi registrada sob o número:
CRD42024603355.
Critérios de Elegibilidade Os estudos que
foram incluídos nesta revisão seguiram a estratégia PICOS (Tocchio dos
Anjos & Rodriguês Portilho, 2021): população (P): ciclistas de
estrada treinados; intervenção (I): treinamento baseado em cadências;
comparação (C): diferentes níveis de cadências; resultados (O):
variação na performance e na eficiência; design do estudo (S): ensaios
clínicos randomizados (ECR). Artigos que se encontravam fora do design
metodológico, estudos publicados em congressos científicos, outras
revisões e metanálises não foram consideradas para análise.
Estratégia de Busca
Em janeiro de 2025, foi realizada, sem a utilização de nenhum tipo de
filtro, uma pesquisa nas bases de dados: MEDLINE (PubMed), Scopus,
SportDiscus e ScienceDirect, utilizando a seguinte frase de busca:
((“aerobic training”) OR (“training zones”) AND (“endurance exercise”)
AND (“cycling”) AND (“cadence”)). As frases de busca por base de dados
estão descritas no Apêndice 1.
Após a busca, todos os estudos encontrados foram importados para o software do Rayyan (Ouzzani et al., 2016), onde três pesquisadores independentes (P.H.P., G.S., A.M.) tiveram acesso. Dois revisores foram responsáveis por remover duplicatas (P.H.P., G.S.), revisar títulos e resumos, seguidos pela análise dos artigos em texto completo. Em casos de desacordo ou quaisquer discrepâncias nas decisões tomadas durante o processo, um terceiro pesquisador (A.M.) foi consultado para tomar a decisão final. Avaliação da Qualidade Metodológica Com o intuito
de avaliar a qualidade metodológica dos estudos analisados nesta
revisão, foi utilizado um instrumento desenvolvido para avaliar
especificamente a qualidade de estudos e relatórios no contexto da
atividade física, o Tool for the Assessment of Study Quality and
Reporting in Exercise (TESTEX). O TESTEX é uma escala de 15 pontos,
desenvolvida especificamente para estudos experimentais, possuindo
critérios que avaliam tanto a validade interna, quanto a apresentação
das análises estatísticas. Cada critério da escala vale um ponto,
quando algum critério não é cumprido sua pontuação vira zero. Sob essa
lógica, o máximo de pontos que um estudo pode atingir é de 15 pontos.
Os critérios abordados pela escala são: 1) especificação do critério de
inclusão; 2) alocação aleatória; 3) ocultação da alocação; 4)
similaridade dos grupos na baseline; 5) cegamento do avaliador; 6)
medição de ao menos um resultado primário em 85% dos indivíduos
alocados (vale até três pontos); 7) análise por intenção de tratar; 8)
comparação entre os grupos de ao menos um desfecho primário (vale até
dois pontos); 9) relatar medidas de variabilidade para todos os
desfechos mensurados; 10) monitorar as atividades do grupo controle;
11) intensidade relativa do exercício se manteve constante; 12)
características do exercício, volume e gasto energético (Smart et al.,
2015). Dois avaliadores (P.H.P., G.S.) experientes realizaram a
avaliação de forma independente e um terceiro avaliador (A.M.) foi
recrutado para possíveis discordâncias.
Avaliação do Risco de Viés Visando avaliar
o risco de viés na pesquisa, a ferramenta Risk of Bias 2.0 (RoB 2.0)
foi utilizada. Esta ferramenta permite aos pesquisadores examinarem o
risco de viés em cada estudo selecionado, de forma individual, o que
possibilita um processo de avaliação mais crítico numa revisão
sistemática. Somado a isso, esta ferramenta trabalha diversas
compreensões de viés, cada um focado em uma área específica do desenho
do estudo. Sendo eles: 1. Viés de Seleção: Referente a como os
participantes foram selecionados para os grupos de comparação; 2. Viés
de Performance: Responsável por avaliar a presença de viés devido a
diferença sistemática entre os grupos na administração da intervenção;
3. Viés de Detecção: Está relacionado com a presença de viés devido a
diferença sistemática entre grupos na medição dos resultados; 4. Viés
de Atribuição: Referese a como os resultados são atribuídos aos
participantes; 5. Viés de Relatórios: Avalia se os resultados
apresentados foram avaliados completamente e de forma precisa (Sterne
et al., 2019). Também nessa etapa, dois avaliadores experientes
realizaram a avaliação de forma independente (P.H.P., G.S.) e no caso
de possíveis discordâncias, um terceiro avaliador (A.M.) foi recrutado.
Extração dos Dados O conteúdo dos
artigos foi selecionado e analisado por dois investigadores
independentes (P.H.P., G.S.). Em casos de desacordo, um terceiro
investigador (A.M.) lia o estudo causador da discordância na íntegra e
tomava a decisão final. A partir desse processo, os seguintes dados
foram extraídos de cada estudo: primeiro autor, ano de publicação, país
de realização do estudo, caracterização da amostra dos diferentes
grupos, as configurações de treinamento utilizadas por cada estudo e as
variáveis avaliadas como desfecho de cada estudo.
Nível de Evidência
A escala GRADE (Grading of Recommendations, Assessment, Development,
and Evaluation) foi utilizada por meio do site GRADEpro
(https://gradepro.org). Essa escala consiste em avaliar o nível de
evidência dos artigos numa classificação: alta, moderada, baixa e muito
baixa. Assim, a GRADE pode identificar algumas limitações
metodológicas, inconsistências, evidências indiretas e viés de
publicação nos estudos, podendo gerar uma redução na certeza da
evidência (Prasad, 2024).
RESULTADOS Baseado nos
critérios previamente estabelecidos, foram encontrados 927 estudos,
sendo eles: Medline/PubMed = 78, Scopus = 44, SportDiscus = 2 e
ScienceDirect = 803. Dentre esses, 16 duplicatas foram identificadas e
removidas iniciando o processo de leitura com 911 artigos, após isso,
898 foram eliminados através da leitura dos seus respectivos títulos e
resumos. Em seguida, os 13 artigos restantes foram lidos na íntegra,
resultando em 5 artigos que passaram em todos os critérios de inclusão
(Figura 1).
Figura 1. Fluxograma do processo de seleção dos estudos incluídos
As
características da amostra são apresentadas na Tabela 1. Dos 5 artigos
selecionados, 1 foi escrito na Austrália, 1 no Reino Unido e Áustria, 2
na Suíça e Alemanha e 1 na Nova Zelândia, totalizando 110 participantes
com experiência em ciclismo de estrada. A média de idade dos
voluntários foi de 28,12 anos. Apenas 2 estudos contaram com
participantes de ambos os sexos, os outros contavam apenas com
voluntários masculinos.
tabela 1.Características descritivas dos estudos incluídos
A Tabela 2 apresenta os dados extraídos das intervenções conduzidas nos
estudos selecionados, mostrando volume, intensidade, e equipamentos
utilizados para mensuração das variáveis. Apenas os estudos de Ludyga
et al. (2016a) e Ludyga et al. (2016b) utilizaram eletroencefalograma
para analisar o efeito de diferentes cadências na atividade cortical
cerebral. Os outros estudos por sua vez, focaram em observar os efeitos
de variáveis fisiológicas, como VO2max, frequência cardíaca e sensação
de esforço, visando encontrar uma cadência ideal.
Tabela 2. Dados das intervenções dos estudos incluídos
A qualidade
metodológica dos estudos incluídos está exposta na Tabela 3. Nessa
tabela, dois artigos (Ludyga et al., 2016a; Nimmerichter et al., 2012)
apresentaram um escore de 10 pontos, sendo o máximo de 15 utilizado
pela ferramenta TESTEX. Outros dois estudos (Whitty et al., 2016;
Ludyga et al., 2016b) apresentaram um escore de 9 pontos, e apenas um
estudo (Paton et al., 2009) apresentou um escore de 8 pontos.
Tabela 3. Análise da qualidade metodológica através da ferramenta TESTEX
Adicionalmente, na Figura 2, através da ferramenta RoB 2.0, os cinco
estudos foram analisados quanto ao seu risco de viés. Um estudo (Whitty
et al., 2016) apresentou um baixo risco de viés, enquanto os outros
quatro estudos (Ludyga et al., 2016a; Ludyga et al., 2016b;
Nimmerichter et al., 2012; Paton et al., 2009) apresentaram pequenas
preocupações.
Figura 2. Análise quanto ao risco de viés através da ferramenta RoB 2.0
A Tabela 4
apresenta a avaliação do nível de evidência realizada por meio da
ferramenta GRADE. A certeza da evidência dos estudos incluídos nesta
revisão sistemática foi classificada como moderada. Apesar da redução
decorrente do domínio “risco de viés”, permanece confiança moderada na
estimativa do efeito, sendo a importância do desfecho classificada como
“importante”.
Tabela 4. Avaliação do nível de evidência através da ferramenta GRADE
DISCUSSÃO A presente
revisão sistemática teve como objetivo investigar os efeitos de
diferentes níveis de cadência em ciclistas de estrada treinados. Dessa
forma, a análise dos cinco ensaios clínicos randomizados selecionados
forneceram informações relevantes sobre os níveis de cadência e suas
respectivas influências na performance e eficiência dos ciclistas.
Todos os estudos selecionados utilizaram o teste incremental ou de rampa, que pode ser caracterizado por um aumento constante da potência até a exaustão voluntária do participante. No estudo de Paton et al. (2009), é possível observar que o protocolo do teste incremental consistiu em um aquecimento de 10 minutos, seguido por 5 minutos a uma potência fixa de 100 W. Após isso, a potência foi incrementada em 33 W por minuto até o ciclista não conseguir mais manter o esforço. Apesar de os valores de potência e o tempo entre cada incremento não serem os mesmos em todos os estudos, os objetivos dos testes incrementais utilizados são os mesmos. Dois estudos (Luduga et al., 2016a; Ludyga et al., 2016b) analisaram os níveis de ativação cortical em diferentes cadências. Ludyga et al. (2016a) utilizaram um grupo controle para as análises, enquanto Ludyga et al. (2016b) utilizaram dois grupos que receberam diferentes estímulos: “high cadence” (HC / 120-140rpm) e “low cadence” (LC / 60rpm). Além disso, no estudo de Ludyga et al. (2016a) era necessário no mínimo 4h de treinamento de ciclismo por semana durante os últimos 6 meses, já no estudo de Ludyga et al. (2016b) o critério foi no mínimo 8 horas de treinamento semanal, sendo pelo menos 5h de ciclismo. Os dois estudos realizaram o teste incremental no cicloergômetro e avaliaram o lactato sanguíneo antes e depois do período de intervenção, e registraram a atividade cerebral durante o exercício através de um eletroencefalograma (EEG). A intervenção de ambos os estudos durou quatro semanas. Durante esse tempo, os voluntários realizaram 4h de treinamento de resistência aeróbica sem supervisão, sendo apenas orientados a se manter na sua cadência designada. Somado a isso, foram realizadas 4 sessões supervisionadas por semana, sendo 2 de velocidade constante e 2 de treinamento intervalado no estudo Ludyga et al. (2016a), e 4 sessões de treinamento intervalado no estudo Ludyga et al. (2016b). Ambos os estudos relataram menor ativação cortical no grupo HC durante o exercício após o treinamento, o que poderia indicar uma maior eficiência neural. Apesar disso, tanto HC quanto LC nos dois estudos apresentaram melhorias semelhantes no consumo máximo de oxigênio (VO2max) e potência no ponto individual anaeróbio (PIANS) após o treinamento. Dessa forma, foi demonstrado que treinamento tanto em altas cadências, quanto em baixas, foi capaz de prover estímulos que aumentam a performance em quatro semanas, no qual a cadência entre 90 e 120 rpm parece estar associada a melhor resposta funcional do cérebro (Ludyga et al., 2016a; Ludyga et al., 2016b). O estudo de Whitty et al. (2016) avaliou apenas homens e o principal critério de inclusão era realizar mais de 300km por semana de ciclismo. Ao longo da pesquisa os participantes completaram três sessões de testes em laboratório: teste de rampa para determinar VO2max, teste submáximo (60%Wmax) no steady-state em diferentes cadências e por último, um teste de performance começando com 15 minutos constantes (60%Wmax), seguidos por 15 minutos de estímulo máximo. Após isso, os voluntários foram separados em dois grupos, HC e LC, e realizaram 3 sessões de treino supervisionados por semana, durante 6 semanas. O grupo HC pedalou 20% acima da sua cadência preferida e o grupo LC 20% abaixo. Foi observado que ambos os grupos aumentaram a sua potência máxima após a intervenção, embora não tenha ocorrido nenhuma diferença estatisticamente entre os grupos. Ademais, o grupo HC demonstrou um comportamento de aumentar a cadência preferida após seis semanas de intervenção, enquanto no grupo LC a cadência preferida não se alterou (Whitty et al., 2016). Ambos os grupos apresentaram cadências preferidas maiores que a cadência metabólica ideal sugerida pelo estudo, 50 rpm. O estudo demonstrou que treinar em altas cadências pode alterar sua cadência favorita e apesar de não haver diferenças observadas no teste em rampa pós-intervenção entre os grupos, o grupo LC melhorou o desempenho de forma significativamente maior do que o grupo HC no teste no Contrarrelógio de 15 minutos (p=0,04) (Whitty et al., 2016). O estudo de Nimmerichter et al. (2012) analisou diferentes cadências em diferentes condições de estrada, plano ou subida. Os voluntários foram separados em três grupos, um grupo realizou treinamento intervalado na subida (60rpm), outro em estradas planas (100rpm) e o terceiro por sua vez, foi o grupo controle que manteve seu treinamento usual. Foram realizados um teste incremental em laboratório, além de dois testes de 20’ máximos, sendo um no plano e o outro na subida. Durante a intervenção os dois grupos experimentais realizaram dois treinos intervalados por semana durante 4 semanas, enquanto o grupo controle não realizou nenhum treinamento intervalado. Os resultados encontrados pelos autores demonstram que não houve diferença significativa no tempo de treino entre os três grupos. Ademais, a potência foi significativamente maior durante as subidas (60rpm), mas não foi observada nenhuma diferença significativa na performance entre os grupos durante o teste de esforço gradual. O fato do grupo LC ter aumentado sua potência ao final da intervenção, tanto na subida quanto no plano, parece suportar os resultados de Paton et al. (2009), em que é relatado que o treinamento em baixas cadências é provavelmente mais eficiente. Assim, o estudo demonstrou que treinamento intervalado em estradas planas ou inclinadas, com diferentes cadências, levam a ganhos semelhantes de desempenho de ciclistas treinados (Nimmerichter et al., 2012). O estudo de Paton et al. (2009) analisou os efeitos do treinamento intervalado em baixas e altas cadências em ciclistas de performance. Foram realizados um teste incremental no ciclo ergômetro, coleta de sangue e um teste máximo de 60’’, também no cicloergômetro. Durante o período do estudo, os ciclistas treinavam entre 10-15 horas por semana. A intervenção durou quatro semanas, em que os ciclistas participaram de duas sessões de treinamento por semana. Os participantes foram randomizados em dois grupos: LC (60-70 rpm) e HC (110-120 rpm), ambos os grupos participaram das 8 sessões que consistia em três séries de sprints na bicicleta ergométrica dentro das cadências designadas e três séries de saltos explosivos unilaterais. Como principais resultados, foi apresentado que, a concentração de testosterona aumentou em média 97% ± 39% no grupo LC, contra um aumento de 62% ± 23% no grupo HC. Somado a isso, o desempenho em potência média no teste de 60 segundos aumentou 5,6% no grupo LC, enquanto o grupo HC teve uma melhoria de 3%. Outras variáveis, como VO2max e potência incremental média também foram maiores no grupo LC. Os resultados encontrados no estudo sugerem que o treinamento de baixa cadência pode ser mais eficaz do que o treinamento em altas cadências em melhorar alguns parâmetros de performance em ciclistas competitivos. Ainda foi evidenciado a importância em considerar a cadência como um fator crítico no planejamento do treinamento de um ciclista. A inclusão dos saltos na intervenção pode ter causado fadiga muscular e tornado mais difícil para o participante realizar sprints de alta intensidade, podendo inclusive ter dificultado a realização de treinamento/teste para alguma faixa de cadência específica. Além disso, embora as medições de testosterona tenham sido realizadas, a correlação entre as mudanças nos níveis de testosterona e as mudanças no desempenho não foram claras. Semelhante aos achados nos estudos de Ludyga et al. (2016a) e Ludyga et al. (2016b), o estudo de Ghorbani et al. (2019) demonstra que cadências mais altas, como 120 rpm, embora mais desafiadoras, resultam em uma maior ativação neural e fadiga central. Enquanto as cadências mais baixas por sua vez, parecem permitir uma melhor manutenção da performance, bem como uma menor percepção de esforço. Ademais, Jacobs et al. (2013) indicam que a eficiência no ciclismo é geralmente maior em cadências mais baixas (60rpm), tendo em vista que a frequência cardíaca observada foi muito menor em 60 rpm, do que em 80 e 100 rpm. Além disso, também é explicitado que os níveis de lactato foram mais elevados em cadências mais altas, bem como, a percepção global de esforço, que também foi maior. O estudo de Brisswalter et al. (2000) demonstra a relação dos ritmos de cadência com a ativação muscular, em que foi apontado que os extremos, cadências muito baixas (<50rpm) e cadências muito altas (>100rom), poderiam levar a um recrutamento preferencial de fibras musculares do tipo II, que possuem uma menor eficiência muscular, ocasionando um aumento do custo energético no exercício prolongado. Cadências mais elevadas implicaram em uma frequência cardíaca também mais elevada sendo assim uma opção aparentemente menos eficiente (Jacobs et al., 2013; Lunt et al., 2011). Takaishi et al. (1996) sugerem que a causa de ciclistas treinados preferirem cadências mais altas está relacionada à fadiga neuromuscular dos músculos ativos, e não com a economia do exercício apenas, também sendo teorizado, que uma faixa de cadência ótima tende a aumentar gradativamente conforme o indivíduo progredir no esporte. Semelhante a isso, os relatos de Palmieri & Deutsch (2024) e a revisão de Mater et al. (2021) esclarecem a relação entre altas cadências e resistências menores, além de sugerir uma possível redução da fadiga muscular utilizando essa estratégia. A presente revisão apresenta limitações que podem influenciar no resultado: o número limitado de estudos encontrados que respeitassem os critérios de elegibilidade pressupostos e a percepção de que todos os estudos analisados empregaram volumes de treinamento relativamente baixos em comparação à realidade da modalidade, o que pode dificultar a interpretação e a generalização dos resultados obtidos. No entanto, os resultados das análises de qualidade metodológica e risco de viés foram positivos, o que fortalece a confiabilidade dos achados apresentados. CONCLUSÃO As análises dos
artigos incluídos na presente revisão sistemática apontaram que
cadências mais baixas se destacam como uma estratégia eficiente para
aprimorar a força muscular e o desempenho, principalmente em etapas
mais curtas, como provas de contrarrelógio. Por outro lado, cadências
mais altas demonstraram benefícios associados à eficiência neural,
devido à redução da ativação cortical e melhor resposta funcional do
cérebro.
Os achados deste estudo têm aplicação prática direta no planejamento do treinamento de ciclistas, fornecendo subsídios para a criação de estratégias de treinamento personalizadas, de acordo com as demandas específicas de cada tipo de prova. Em especial, o treinamento em baixa cadência pode ser indicado para melhorar a força e o desempenho em eventos de curta duração, enquanto cadências mais altas podem ser exploradas para promover adaptações neurológicas. Recomendase que futuros estudos investiguem programas de treinamento voltados para as provas de longa duração, como o ciclismo de estrada, incluindo maiores volumes de treino e protocolos mais próximos ao contexto competitivo para estabelecer as relações entre cadência e desempenho. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS Beneke, R.,
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Dirección para correspondencia de Souza Costa, Mario Doutor em Ciências do Exercício e do Esporte Universidade do Estado do Rio de Janeiro Brasil ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4545-0892 correo electrónico: prof.mariocezar@gmail.com. Recibido: 31-07-2025 Aceptado: 03-06-2026
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